Doutor google

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Você costuma se consultar com o doutor google?

Confesse: você certamente já correu para o Google para pesquisar sobre algo relacionado à saúde, seja para saber se aquela sua dor de cabeça chata era causada por estresse ou por algo mais grave, ou qualquer outro assunto.

Em discussão com alguns colegas do Centro Médico Nilópolis, atualmente, 3,2 bilhões de pessoas no mundo têm acesso à internet diariamente e a grande maioria utiliza a ferramenta de busca Google como forma de acesso a informações sobre os mais diversos assuntos e interesses. Um desses assuntos é a saúde e, neste aspecto, é preciso usar o máximo da racionalidade para fazer as escolhas corretas, uma vez que existem milhões de sites, blogs, vídeos e informações que nem sempre tratam o tema com a devida responsabilidade.

Os diagnósticos do doutor google

O computador virou uma ferramenta tão importante para quem zela pela própria saúde quanto ter o telefone do médico sempre à mão ou manter abastecida a maletinha caseira de primeiros socorros. O fenômeno começou há dez anos e se intensificou nos últimos três. “Metade dos pacientes já chega ao consultório trazendo informações da internet. É verdade que o dr. Google é prático e pode ajudar em alguns casos, mas seu curso de medicina é baseado em algoritmos que podem te transformar em um cibercondríaco (é sério, essa palavra já é utilizada por cientistas). O Google foi promovido a doutor. O grupo dos cibercondríacos, pessoas que costumam buscar na internet informações sobre os sintomas que apresentam, existe desde o aparecimento das primeiras páginas de busca, e não para de crescer.

O doutor 24 horas

Diante de tanta procura, o Google estuda criar o Google Health (“Google Saúde”), ferramenta que promete agregar todo tipo de informação ligada à área de saúde. Um dos maiores desafios enfrentados pela empresa é reunir todo o material sem promover a automedicação. Afinal, pessoas não treinadas em medicina podem interpretar de forma errada os sintomas e achar que têm problemas muito mais graves do que na verdade têm.

Mas, em alguns casos, a pesquisa virtual anterior a uma consulta com o médico pode ser uma aliada. É o caso do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), transtorno neurológico que causa desatenção e inquietude. Como a doença é pouco conhecida mesmo entre os profissionais da psicologia, os pacientes que têm os sintomas acabam fazendo o próprio diagnóstico ao ler uma reportagem ou pesquisar sobre o tema. Dependendo do tipo de doença, fazer parte de uma comunidade ou grupo de discussão na internet pode até mesmo ajudar os pacientes a se manterem mais firmes no tratamento.

 

Além da preocupação antecedente a uma consulta médica “olho no olho”, pessoas podem ser vítimas de aproveitadores, de indivíduos que querem vender produtos ou que passam a impressão de uma determinada gravidade naquele sintoma para se beneficiar de alguma forma. Além disso, há muitas pessoas que buscam a informação na internet e só usam aquela que mais agrada. Com isso, conseguem uma espécie de benefício, uma recompensa que precisam no momento de uma necessidade aguda ou crônica, como é o caso da descoberta de uma doença grave, por exemplo. Nem todos os médicos estão prontos para os novos tempos. Muitos se incomodam profundamente quando se sentem desafiados pelo paciente. Acham que a competência deles está sendo colocada em dúvida. Devo, então, deixar de pesquisar os meus sintomas no Google? Deixar de consultar um médico nunca é recomendado, pois apenas o profissional de saúde tem os instrumentos necessários para avaliar a sua condição e receitar tratamentos adequados.

Admita você já procurou o doutor google

No entanto, a maioria dos usuários da internet simplesmente não resiste à tentação de pesquisar sintomas online. Mais de 80% dos americanos, por exemplo, já usaram mecanismos de busca para fazer auto-diagnósticos.6 Para tornar os resultados um pouco mais confiáveis, o Google tem oferecido algumas alternativas, como os “health cards”.7

Os “health cards” aparecem no topo da página de busca quando perguntamos ao Google sobre condições de saúde. Eles concentram informações médicas relevantes, como sintomas, tratamentos típicos e outros detalhes. Para certas doenças, há ilustrações e imagens. O diferencial, no entanto, é que todas as informações são fornecidas por médicos licenciados parceiros da empresa. Os dados são, portanto, confiáveis.

Uma informação incorreta pode desvalorizar ou supervalorizar tratamentos, e ambas as situações são erradas. O paciente deve ser orientado de que o tratamento sugerido pelo seu médico é individual e adequado para suas necessidades, enquanto na internet há uma informação geral que não se encaixa para todos os casos. A internet também pode ser considerada um instrumento a mais para os pacientes adquirirem informação, além da que recebem dos médicos, no entanto, é preciso ficar atento para que isso não se torne um hábito que leve ao abandono dos tratamentos.

É fundamental que seja estabelecido um relacionamento de confiança entre profissionais da saúde e pacientes, para que as consultas à internet, se ocorrerem, possam ser usadas como forma de troca de informações.

Busque informação em sites de confiança

A internet e a tecnologia são importantes ferramentas de apoio no cuidado ao paciente, quando bem utilizadas. Então, não cabe ao profissional de saúde tentar competir ou rejeitar a busca por informações on-line. Afinal, o hábito é uma realidade consolidada, que traz benefícios. Principalmente em um País em que o acesso à saúde é precário e desigual. Portanto, a atitude ideal do profissional é aprender a lidar com essa nova realidade.

“O acesso à informação está mudando a relação com o paciente graças ao doutor google. Ele tem agora melhores condições de dialogar e questionar sobre sua saúde, tornando-se mais responsável pelos cuidados. Outra atitude necessária é orientar o paciente a respeito dos perigos de interpretações erradas e falta de qualidade de muitas das informações disponíveis na internet.

O profissional de saúde deve aconselhar que as pesquisas sejam feitas em sites de sociedades médicas oficiais, que têm dados elucidativos e informações mais precisas. Também é preciso aconselhar a jamais se automedicar, pois mesmo que o diagnóstico on-line esteja correto, o novo medicamento pode provocar alguma interação com outras drogas que o paciente já faz uso.

 

Quando o profissional consegue desenvolver um laço de confiança forte e estruturado o suficiente, o paciente não terá necessidade de buscar outras fontes de informação, mas, para isso, é importante que tudo o que o paciente trouxer na consulta seja realmente comentado e validado.

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